Mulher segurando modelo de anatomia de cólon humano

Tratamento do câncer colorretal: caminhos terapêuticos e acesso

Receber o diagnóstico de câncer colorretal costuma gerar muitas dúvidas, medos e inseguranças. Entre elas, uma das mais comuns está relacionada ao tratamento do câncer colorretal, suas chances de cura, duração, efeitos e, principalmente, como ter acesso às terapias indicadas.

câncer colorretal, que engloba tumores do cólon e do reto, é um dos tipos mais frequentes no Brasil, mas também está entre aqueles com maior potencial de cura quando diagnosticado precocemente

A escolha do tratamento depende diretamente do estágio da doença, das características do tumor e das condições clínicas do paciente.

O que é o câncer colorretal e como os estágios influenciam o tratamento

O câncer colorretal é um tumor que se desenvolve no intestino grosso, podendo atingir o cólon e o reto. Na maioria dos casos, ele se origina a partir de pólipos intestinais que, ao longo do tempo, podem se transformar em câncer. Por isso, o diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura.

O estadiamento do câncer colorretal é o processo que define a extensão da doença no organismo e orienta toda a estratégia de tratamento. Ele é determinado por exames como colonoscopia, tomografias, ressonância magnética e análise da biópsia, sendo classificado, de forma geral, em quatro estágios.

Nos estádios iniciais (I), o tumor está restrito às camadas superficiais do intestino, com altas taxas de cura, muitas vezes apenas com cirurgia. Nos estádios II e III, o câncer pode atingir camadas mais profundas ou linfonodos próximos, exigindo associação de cirurgia e quimioterapia. 

Já no estádio IV, quando há metástases em órgãos distantes, o tratamento do câncer colorretal passa a focar no controle da doença, aumento da sobrevida e qualidade de vida, com uso de quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, conforme cada caso.

Principais formas de tratamento do câncer colorretal

O tratamento do câncer colorretal é definido, principalmente, pelo estadiamento da doença, que indica até onde o tumor se desenvolveu e se houve comprometimento de linfonodos ou outros órgãos.

Esse estágio é identificado por exames como colonoscopia, tomografias, ressonância magnética e análise anatomopatológica. De forma geral, as modalidades terapêuticas podem ser combinadas ou utilizadas isoladamente, conforme cada caso.

Cirurgia e quando ela é indicada

A cirurgia é a principal forma de tratamento do câncer colorretal nos estágios iniciais e continua sendo fundamental mesmo em fases mais avançadas.

Quando o tumor está restrito às camadas iniciais do intestino (estádio I), a cirurgia pode ser curativa, com taxas de sucesso superiores a 90%. Em alguns casos muito iniciais, a retirada pode ser feita durante a própria colonoscopia.

Já em estágios mais avançados, a cirurgia tem como objetivo remover o segmento do intestino afetado e os linfonodos próximos. Ela pode ser realizada por via aberta, laparoscópica ou robótica, dependendo das condições clínicas e da experiência da equipe médica.

Em situações específicas, pode ser necessária uma colostomia temporária ou, mais raramente, definitiva. Mesmo assim, a cirurgia segue sendo uma etapa essencial do tratamento do câncer colorretal, tanto com intenção curativa quanto para controle da doença.

Quimioterapia e suas finalidades

quimioterapia atua eliminando células cancerígenas que não são visíveis nos exames ou reduzindo o risco de retorno da doença após a cirurgia. Sua indicação varia conforme o estágio:

  • Estádio II: pode ser indicada em pacientes com fatores de risco elevados.

  • Estádio III: geralmente é recomendada após a cirurgia, com finalidade preventiva (adjuvante).

  • Estádio IV: torna-se o tratamento principal, visando controlar a progressão da doença e aumentar a sobrevida.

Medicamentos como oxaliplatina, 5-fluorouracil, capecitabina e irinotecano são amplamente utilizados. A duração do tratamento costuma variar entre três e seis meses, conforme o protocolo adotado.

A quimioterapia é uma parte central do câncer colorretal tratamento, especialmente nos casos em que há risco de disseminação ou presença de metástases.

Imunoterapia e terapias direcionadas

Nos últimos anos, o tratamento do câncer colorretal avançou significativamente com as terapias-alvo e a imunoterapia.

As terapias direcionadas atuam em mecanismos específicos das células tumorais, como a inibição da formação de vasos sanguíneos (antiangiogênicos) e o bloqueio de receptores ligados ao crescimento do tumor (anti-EGFR).

Essas medicações só são indicadas após testes genéticos, como a análise do gene RAS.

Já a imunoterapia é indicada em um grupo seleto de pacientes que apresentam uma característica chamada instabilidade de microssatélite (alteração genética onde sequências curtas e repetitivas de DNA mudam de tamanho no tumor)

Nesses casos, ela pode gerar respostas duradouras e melhor qualidade de vida, com menos efeitos colaterais quando comparada à quimioterapia tradicional.

Quando medicamentos de alto custo entram no tratamento?

Medicamentos de alto custo costumam ser indicados quando:

  • O câncer está em estágio avançado ou metastático;

  • Houve falha em tratamentos convencionais;

  • O tumor apresenta alterações moleculares específicas;

  • Existe indicação de imunoterapia ou terapias-alvo.

No tratamento do câncer colorretal, esses medicamentos não são utilizados de forma indiscriminada. Sua prescrição depende de critérios técnicos, exames específicos e avaliação detalhada do histórico clínico do paciente.

Protocolos clínicos e exigências médicas do tratamento do câncer colorretal

A decisão sobre o tratamento é diferente para cada situação, sendo decidido por uma equipe multidisciplinar, considerando:

  • Estágio da doença;

  • Exames de imagem;

  • Biópsia e anatomopatológico;

  • Testes genéticos e moleculares;

  • Condições gerais de saúde do paciente.

Para justificar o uso de terapias mais avançadas, os médicos geralmente elaboram relatórios detalhados, contendo laudos, exames e a fundamentação científica da indicação.

Acesso aos tratamentos pelo SUS e pelos planos de saúde

O SUS oferece tratamento integral para o câncer colorretal, incluindo cirurgia, quimioterapia e, em situações específicas, terapias avançadas. No entanto, o acesso pode variar conforme protocolos clínicos e disponibilidade regional.

Nos planos de saúde, a cobertura segue o rol da ANS, mas também considera diretrizes clínicas. Com as novas leis implementadas nos últimos anos, esse rol tem sido limitado e nem todos os medicamentos são autorizados.

Portanto, caso esteja com dificuldade de solicitar seu medicamento de alto custo, converse com um advogado de confiança ou com a Defensoria Pública para entender outras possibilidades.

Quando ocorre negativa?

A negativa pode ocorrer por motivos como:

  • Alegação de medicamento fora do rol;

  • Classificação como tratamento experimental;

  • Falta de documentação médica;

  • Divergência entre protocolo interno e prescrição médica.

Nesses casos, o paciente não deve interromper a busca pelo tratamento. A negativa não significa ausência de direito.

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Conclusão

O câncer colorretal tratamento envolve diferentes estratégias, que variam conforme o estágio da doença e as características do tumor.

As chances de cura são altas quando o diagnóstico é precoce, e mesmo em estágios avançados, os avanços da medicina têm ampliado a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

Informação de qualidade, acompanhamento médico especializado e conhecimento sobre acesso aos tratamentos são pilares fundamentais nesse caminho. E é exatamente nesse ponto que o suporte correto faz toda a diferença.

Fontes:
INCA:
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC);
ANVISA;
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
American Cancer Society (ACS).

Escrito por:

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